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A PRODUTIVIDADE NO REINO


Leitura bíblica: Mateus, 25: 14-30.

Introdução.
Essa abordagem do texto requer que se coloquem, preliminarmente, alguns conceitos:
a) Nação: população organizada geográfica, política e culturalmente, dirigido por leis próprias. Israel formava uma nação desde que saiu do Egito: havia, para eles, uma terra a assumir, um sistema político (teocrático) a ser observado, uma cultura a ser preservada e um conjunto de leis próprias, formuladas por Deus e entregues por Moisés. Deles o Senhor disse: “Vós me sereis nação santa” (Ex 19: 6).

b) Reino: nação sob a direção de um rei. A Igreja de Deus forma uma “nação santa” (I Pe 2:9); tem um Rei que dirige um reino de amor (Col. 1: 13). Profeticamente, um dia, o povo judeu exclamou a respeito de Jesus: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!” (Lc 19: 38).

Nesse reino especial — não-terreno, mas celestial — não há incapazes nem “incapacitados”. A todos os cidadãos o Senhor deu um trabalho para realizar.

Se você foi incluído no reino, por meio do Sangue de Cristo; se continua incluído no reino, se é cidadão do reino; então, tem uma tarefa a cumprir.
Num reino todos os cidadãos têm direitos, mas não estão livres dos deveres. Sempre há tributo a pagar.
1) Talento: a dádiva do Rei para cada súdito.

Cada um de nós recebeu do Senhor uma quantidade de talento, segundo a nossa capacidade. Deus não exige de nós o que não podemos oferecer. “Mas a graça foi dada a cada um de nós, segundo a medida do dom de Cristo.” (Ef 4: 7). Ninguém ficou fora da lista da graça de Cristo!

2) Qual o valor dos talentos?
A Bíblia registra que alguns servos recebem mais talentos do que outros; para uns, cinco, dois para outros e, para outros, um talento. Mas não diz que há talentos mais valiosos do que outros! Todos os talentos somam o mesmo valor perante o Rei, que não faz acepção de pessoas. Não é a quantidade que conta. A quantidade está relacionada com a medida do dom de Cristo. Ele sabe o que dá a cada um.
Irmãos, em princípio, nós não sabemos qual é o talento que Deus deu a alguém. Apenas podemos imaginar. Quem vai avaliar é o Senhor!
Muitas vezes dizemos: “aquele irmão tem talento para cantar”; no entanto, cantar pode não ser o que Deus quer dele. Assim, o que canta usa uma habilidade que Deus não quer usar como talento. Então, avaliamos mal o talento do outro.
“Fulano tem talento para pregar.”; às vezes, fulano tem apenas facilidade para fazer discursos; seria, talvez, bom parlamentar! Será que Deus o chamou mesmo para pregar, ensinar, cuidar das almas? Claro que as facilidades para um trabalho podem revelar um talento.

Não nos preocupemos com a avaliação dos talentos. Eles são riquezas de Deus, não nossas.

Quando nos preocupamos com avaliações de talentos, abrimos a porta para disputas e orgulhos que produzem sentimentos de soberba ou de inveja, o que é pecado na Igreja.
Nota: Neste caso, apreciar não é avaliar. Podemos apreciar a desenvoltura de alguém num trabalho, mas Deus é quem avalia!


3) Formas de empregar os talentos.
De posse do talento (ou dos talentos) que Deus nos entregou, instalamo-nos no Reino de modo que nossa conduta fica indisfarçável:
a) Alguns contentam-se com uma frequência relativamente boa aos cultos dominicais. Eles dizem: — Todo domingo estou no culto, participo dos cânticos e orações, ouço a Palavra, e retorno aos meus afazeres semanais. Tenho muito que fazer; por isso, não posso gastar mais tempo do que esse. E o talento que lhe foi dado?
b) Outros alegam que já se ocupam com um trabalho na igreja, por isso fazem a sua “obrigação”. Não são prestativos na obra. Será esse o talento dele?
c) Há, porém os que se gastam no trabalho (2 Co 12: 15); vivem com seus corações voltados para o Reino. São eles os homens-Isaías, sempre dispostos a dizer: “Eis-me aqui...” (Is 6: 8). Puseram seus talentos para render!

4) O bom cidadão granjeia talentos.
O exemplo do texto lido mostra a reação do senhor para com aqueles servos a quem ele entregou talentos. Ao que recebeu cinco e granjeou outros cinco — quer dizer, mostrou 100% de capacidade no trabalho — a honraria foi muito grande (v. 21). Não foi menor a premiação daquele que recebera dois talentos, mas teve a mesma produtividade. (v. 23). Não importa quantos talentos Deus nos deu; importa o que apresentaremos a ele como resultado.

5) O descaso do servo mau.
Aquele que recebera um talento, além de causar prejuízo à riqueza do seu senhor, intentou arranjar desculpas desonrosas. Todos já vimos crentes que, em lugar de trabalhar pelo reino, vivem a se achar menosprezados na igreja; sentem-se infelizes; dizem que Deus os abandonou; que não recebem bênçãos; Maldizem de Deus! Mas foi muito triste o resultado para aquele homem infiel. (v. 30).

Conclusão.
Este é momento de reflexão, relativamente a como atuamos no Reino do Senhor. Qual tem sido a produtividade do nosso talento? Quais os resultados para a obra do Senhor? Em que temos contribuído para o crescimento da Igreja?
Muitas vezes estamos mais preocupados com a nossa vida terrena, com nosso trabalho, ou dinheiro, ou compromissos materiais do que com a nossa atividade no Reino do qual somos cidadãos.
“... O mundo passa e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (I Jo 2: 17). Quem fica preso às coisas desta vida, será desarraigado com ela. Paulo diz: “... e os que choram, como se não chorassem, e os que folgam, como se não folgassem, e os que compram como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.” (I Co 7: 30-31).

Choramos, folgamos, compramos e usamos deste mundo, sim; mas agimos como se nada disso tivesse maior importância do que o Reino, porque todas aquelas coisas passarão.

Este momento é de decisão. Não há saída: ou somos servos bons e fiéis, (v.21; 23) ou somos servos inúteis, preparados para sermos lançados nas trevas exteriores (v. 30). Vale bastante a decisão pelo trabalho. Amém!
Izaldil Tavares de Castro

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