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CUIDANDO DA FALA CRISTÃ

O falar evangélico constitui uma forma particular de linguagem, mormente em seu aspecto oral. Esse não é um fenômeno exclusivo da cristandade evangélica. Trata-se de um fenômeno sociolinguístico abrangente de todas as camadas sociais. Entretanto, por se tratar de linguagem sacra, deve ser cuidadosamente observada.
Apesar dos cuidados que exige, muitas vezes esse linguajar apresenta deslizes e exageros relativamente ao seu uso específico. Esse fenômeno ocorre, em grande parte, por imprudência do falante. Também influem a falta de conhecimento bíblico ou certo exagero na demonstração de uma “linguagem santificada”.
Não se duvida de que a maneira de falar do homem transformado pelo Evangelho de Jesus Cristo tem de ser diferenciada. Isaías reconheceu que fora “homem de impuros lábios” e esse reconhecimento permitiu-lhe a purificação da linguagem, quando um serafim tocou-lhe os lábios com brasa tirada do altar (Is 6: 5-7). Crentes precisam de ter lábios purificados. Essa purificação, entretanto, é feita pelo Espírito Santo o qual, jamais exagera, mas age de modo adequado, simples, perfeito e maravilhoso. Uma linguagem purificada pelo Espírito Santo não se mostra afetada ou passível de crítica; é doce, suave, compreensível e profunda de significado.
A Bíblia claramente ensina, no livro de Êxodo, 20: 7: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque Deus não terá por inocente o que tomar seu nome em vão”. O que significa a expressão “em vão”?
Embora essa expressão não se comporte gramaticalmente em conformidade com a natureza da língua portuguesa (um adjetivo preposicionado) é de largo e consagrado uso; equivale ao advérbio “inutilmente”, “sem objetivo específico”, entre outras possibilidades. Tomar o nome do Senhor “em vão” significa fazer referência em situação vulgar, trivial, irreverente. Essa é, inclusive, a razão por que os judeus obedecem à risca a proibição divina e não pronunciam o nome divino.
Grande parte dos evangélicos, por motivos que aqui não se discutem, não tem o devido cuidado no linguajar cristão. É urgente buscarmos a Sabedoria; Tiago dá a aula: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tg 1: 5). O povo salvo deve interessar-se pela instrução, principalmente a bíblica. Jesus passou o seu ministério terreno a ensinar aos seus seguidores. Os apóstolos dedicaram-se a esclarecer o proceder cristão. O mesmo Jesus ordenou a divulgação e o ensino do evangelho. Conhecer o evangelho é obter instrução e sabedoria.
Sem dúvida, só é possível a prática do ensino, se houver quem se disponha a aprender, portanto, ser aprendiz é mandamento do Senhor: “Portanto, ide e ensinai a todas as nações...” (Mt 28:19).
Vejam-se alguns hábitos de linguagem cristã que devem ser revistos:
1. “Em nome de Jesus”.
Foi o próprio Senhor que autorizou falar-se em seu Nome. O nome de Jesus é exaltado: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, dos que estão os céus, na terra, e debaixo da terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fp 2: 9-10). Ele disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14: 13-14).
Há um fim específico para se invocar o nome do Senhor: a glória do Pai, por meio do Filho. Entretanto, a expressão “em nome de Jesus” tem-se vulgarizado entre os crentes, o que constitui o uso vão.
Ouve-se amiúde, nos cultos: “Vem sentar-se neste lugar, irmão, em nome de Jesus!” ou “Podem se sentar, em nome de Jesus!” ou, ainda, “Amanhã vou viajar, em nome de Jesus!”. Irmãos, esse uso é indevido. Talvez seja melhor dizer: “Venha sentar-se neste lugar, irmão!” ou “Podem sentar-se, fiquem à vontade”. Não usemos o nome do Senhor de modo vão.
O nome de Jesus deve ser invocado em situações em que o cristão deve usar autoridade, já que a nossa autoridade vem dele; não é propriedade humana.
2. “Fala, Deus!”
Já se tornou comum, em meio a uma pregação mais enérgica, ouvir-se alguém gritar da platéia essa frase. Será que o entusiasmo do pregador provém mesmo da boca do Senhor? É necessário cuidado. Glorifiquemos a Deus, jamais ao homem. Há também, uma forma galhofeira de usarem essa expressão, nas rodas de amigos crentes, quando surge algum assunto irreverente. Pecados!
3. “Deus é fiel.”
A frase, elaborada por um grupo cristão, tem sido usada também de modo irreverente. A constatação da fidelidade divina é tão óbvia que não precisa ser dita. Evidentemente, Deus é fiel. A questão é outra: nós somos fiéis a ele? O melhor é evitar o uso abusivo da expressão.
Os exemplos dados devem ser suficientes para alertar o nosso linguajar cristão. Que o Senhor nos ajude a buscar a Sabedoria que vem do alto, para que nos tornemos cada vez mais aperfeiçoados na caminhada cristã. Amém!

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